A ausência do dirigente regional de Ensino de Avaré, Henrique Riguetto, durante a sessão ordinária da Câmara Municipal realizada na segunda-feira (22), provocou críticas de vereadores e ampliou o debate sobre os problemas enfrentados por estudantes da rede estadual, após a não renovação do convênio de transporte escolar entre o Estado e o município.
Segundo o presidente da Câmara, Samuel Paes, Riguetto foi convocado para prestar esclarecimentos sobre a situação, mas não respondeu formalmente ao requerimento encaminhado pela Casa. De acordo com o parlamentar, o dirigente teria informado, por telefone, que não participaria da sessão e que não estaria subordinado ao Legislativo municipal.
“Ele esquece que, por ser funcionário do Estado, atende munícipes avareenses. O vereador tem o direito de fiscalizar questões relacionadas ao transporte escolar, seja ele estadual ou municipal”, afirmou Paes durante a sessão.
O presidente anunciou ainda que a Câmara pretende adotar medidas para obter os esclarecimentos solicitados e informou que buscará apoio junto à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) para que o dirigente se manifeste sobre o assunto.
A vereadora Ana Paula do Conselho também lamentou a ausência do representante da Diretoria Regional de Ensino e afirmou que a convocação tinha como objetivo esclarecer dúvidas levantadas por pais, alunos e pela própria população.
Segundo a parlamentar, a justificativa apresentada para o não comparecimento foi de que a Promotoria do Estado teria orientado o dirigente a prestar contas apenas à Alesp, e não ao município.
“Discordo dessa colocação. Os alunos transportados são da nossa cidade. Nós não queríamos atacar ninguém, apenas obter esclarecimentos sobre uma situação que afeta diretamente centenas de famílias”, declarou.
Durante sua manifestação, Ana Paula questionou informações recebidas por vereadores e moradores sobre possíveis irregularidades na operação do transporte escolar. Entre os pontos levantados estão a suposta presença de monitores menores de idade nos veículos, dúvidas sobre a regularização da frota utilizada e a falta de transparência em relação aos motivos que levaram à interrupção do convênio anteriormente mantido com a Prefeitura.
A vereadora também demonstrou preocupação com os impactos da nova logística adotada para o transporte dos estudantes, especialmente aqueles que vivem na zona rural. “Quem não pode pagar por isso são os adolescentes. O mínimo que pedimos é uma explicação”, afirmou.
Estudantes enfrentam rotina exaustiva
A convocação do dirigente regional tinha como principal objetivo esclarecer as razões que levaram à não renovação do convênio de transporte escolar, responsável por atender estudantes da rede estadual do 6º ano do Ensino Fundamental ao Ensino Médio.
Sem o acordo entre Estado e município, o novo modelo de transporte passou a ser alvo de reclamações de pais e responsáveis. Parlamentares classificam a situação como caótica, apontando falhas de planejamento e dificuldades enfrentadas pelos alunos para chegar às escolas.
Os relatos mais preocupantes vêm da zona rural de Avaré. Segundo familiares, alguns estudantes precisam acordar por volta das 3h30 da madrugada para conseguir cumprir os horários estabelecidos pelas novas rotas.
A rotina, considerada excessivamente desgastante, tem gerado preocupação quanto ao rendimento escolar, à saúde dos estudantes e ao risco de aumento da evasão escolar.
Durante a sessão, Ana Paula alertou que a situação pode provocar crescimento no número de faltas e até mesmo afastar alunos das salas de aula. “Muitos estudantes dependem da merenda escolar e do apoio oferecido pela escola. Com horários tão extremos, corremos o risco de aumentar os casos de evasão escolar e prejudicar quem mais precisa do serviço público”, destacou.
A ausência do dirigente na Câmara ocorre em meio a críticas recorrentes direcionadas à Diretoria Regional de Ensino por parte de parlamentares, representantes da comunidade escolar e veículos de comunicação da região, que apontam dificuldades de diálogo e acesso a informações sobre decisões que impactam diretamente alunos e famílias.
Enquanto aguardam esclarecimentos, vereadores prometem levar a discussão à Assembleia Legislativa e continuar cobrando respostas sobre o transporte escolar oferecido aos estudantes de Avaré.

