O Exército dos Estados Unidos realizou uma série de bombardeios contra o território do Irã nesta terça-feira, 9, de acordo com o Comando Central americano. A ofensiva é uma resposta à derrubada de um helicóptero militar americano perto do Estreito de Ormuz.
“As forças do Comando Central dos EUA começaram a lançar ataques de autodefesa contra o Irã às 17h ET (18h, no horário de Brasília), de hoje, por ordem do Comandante em Chefe, em resposta à derrubada de um helicóptero Apache do Exército dos EUA ontem. A missão é uma resposta proporcional à agressão iraniana injustificada”, afirmou o órgão em publicação nas redes sociais.
Pouco depois, a mídia estatal iraniana informou que explosões foram ouvidas em uma ilha iraniana perto do Estreito de Ormuz. A extensão dos bombardeios ainda não é conhecida.
Mais cedo, o presidente americano, Donald Trump, acusou publicamente o Irã pela derrubada da aeronave e chegou a alertar que Washington “precisaria responder” ao ataque.
“Acabo de ser informado pelo nosso Grande Exército que, na noite passada, os iranianos derrubaram um de nossos helicópteros Apache altamente sofisticados enquanto patrulhava o Estreito de Ormuz”, escreveu Trump na Truth Social, rede social da qual é dono.
O mandatário da Casa Branca informou que os dois pilotos que estavam a bordo estão seguros e sem ferimentos”, acrescentando: “Mesmo assim, os Estados Unidos devem, necessariamente, responder a este ataque”.
A queda do AH-64 Apache ocorreu por volta das 3h30 no horário local (20h30 de segunda-feira, 8, em Brasília), ao largo da costa de Omã, enquanto os militares conduziam uma patrulha na região, de acordo com o Comando Central dos EUA (Centcom, na sigla em inglês). Os tripulantes foram resgatados por um drone marítimo americano cerca de duas horas após o incidente.
O caso marcou a primeira perda de um Apache desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro. O modelo de helicóptero tem sido vital para a implementação do bloqueio americano ao Estreito de Ormuz — rota vital para o comércio internacional de petróleo que tem sido palco de tensões na guerra no Oriente Médio —, impedindo a entrada e saída de navios do Irã. Também foram usados pelos Emirados Árabes Unidos para abater drones iranianos no conflito.
Na segunda-feira 8, Trump reiterou que o cerco dos EUA às embarcações iranianas continuará em vigor “até que um acordo final seja alcançado”. As negociações estão estagnadas há semanas, embora o republicano tenha afirmado anteriormente que as tratativas avançam em “ritmo acelerado”.
+ Trump diz que acordo de paz com Irã pode ser alcançado em ‘dois ou três dias’
Escalada das tensões
O ataque ocorre após uma intensa troca de ataques entre Irã e Israel, desencadeada por uma ofensiva israelense contra Beirute, capital do Líbano. A Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irã, bombardeou Haifa e disse ter alvejado a base aérea de Ramat David, no Vale de Jezreel. Em resposta, Israel lançou mísseis contra Teerã, Tabriz e Isfahan, além de ter atingido uma petroquímica em Bandar-e Mahshahr.
O Irã coloca o fim da guerra em todas as frentes na região — o que inclui o Líbano, alvo de uma ofensiva israelense contra o Hezbollah — como uma das principais demandas para um acordo com os Estados Unidos. O posicionamento é criticado pelo primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, que condena o uso do país como uma “moeda de troca” nas tratativas.
O Irã coloca o fim da guerra em todas as frentes na região — o que inclui o Líbano, alvo de uma ofensiva israelense contra o Hezbollah — como uma das principais demandas para um acordo com os Estados Unidos. Teerã também exige suspensão de sanções, a liberação de fundos congelados e o fim do bloqueio marítimo americano ao país. Os termos incluem, ainda, reparações por danos causados pela guerra e a retirada das forças americanas de áreas próximas ao território iraniano.

