InícioPolíticaPGR quer condenação de Eduardo por coação e atuação nos EUA

PGR quer condenação de Eduardo por coação e atuação nos EUA

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu nesta terça-feira, 16, a condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro pelo crime de coação no curso do processo durante o curso do processo da suposta tentativa de golpe de Estado — que resultou na condenação de seu pai, Jair Bolsonaro (PL).

Durante a sustentação oral na 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), o subprocurador-geral da República, Antônio Edílio Magalhães, afirmou que as provas reunidas na investigação demonstram uma estratégia deliberada para pressionar ministros da Corte por meio de sanções e medidas adotadas pelos Estados Unidos.

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“Essa é uma situação relativamente simples do ponto de vista penal. Há todo um contexto fático e um conjunto de provas evidenciando que essa coação efetivamente existiu”, afirmou.

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A ação penal trata da suposta atuação de Eduardo Bolsonaro com autoridades e parlamentares norte-americanos para promover medidas contra integrantes do Supremo Tribunal Federal e contra o próprio Brasil, em meio ao andamento de processos que envolviam o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao resumir a acusação, o subprocurador afirmou que o ex-deputado “se empenhou em praticar sucessivas e públicas ameaças contra ministros do Supremo Tribunal Federal”, ao utilizar a perspectiva de sanções estrangeiras como instrumento de pressão sobre autoridades brasileiras.

1ª Turma do STF1ª Turma do STF
Ministros da 1ª Turma do STF durante julgamento do caso de Eduardo Bolsonaro | Foto: Victor Piemonte/STF

“Algumas das ameaças que foram veiculadas acabaram sendo concretizadas”, afirmou Edílio Magalhães durante a sustentação, ao citar como exemplos a suspensão de vistos de ministros do STF anunciada pelo governo norte-americano, a aplicação de sobretaxas sobre produtos brasileiros e as sanções impostas a Moraes com base na chamada Lei Magnitsky.

“Favorecer interesse alheio”

Durante a sustentação, Edílio Magalhães relembrou que o crime de coação no curso do processo está previsto no artigo 344 do Código Penal e ocorre quando alguém utiliza violência ou grave ameaça para favorecer interesse próprio ou de terceiros contra autoridade ou pessoa que atue em processo judicial.

Segundo a PGR, esse seria exatamente o enquadramento da conduta atribuída ao ex-deputado. A acusação sustenta que as ameaças tinham o objetivo de favorecer interesses de Jair Bolsonaro, então réu em ações que tramitavam no Supremo.

“O denunciado se empenhou em praticar sucessivas e públicas ameaças contra ministros do Supremo Tribunal Federal, alardeando a aplicação de sanções estrangeiras pelos Estados Unidos da América com o objetivo de interferir no andamento da ação penal”, afirmou o subprocurador.

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Para o Ministério Público, o caso vai além dos impactos institucionais sobre o Judiciário e alcança efeitos concretos sobre a economia brasileira.

“A estratégia criminosa culminou em prejuízos concretos a diversos setores produtivos onerados pelas sobretarifas norte-americanas, alcançando, em última instância, trabalhadores vinculados a essas cadeias econômicas, completamente alheios aos processos penais atacados”, afirmou a PGR.

O ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência BrasilO ministro do STF Alexandre de Moraes | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Alexandre de Moraes negou o adiamento do julgamento | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

PGR cita vídeos, entrevistas e publicações

Ao defender a condenação, o representante da Procuradoria listou uma série de vídeos, entrevistas e publicações em redes sociais atribuídas ao ex-deputado federal. 

Segundo a acusação, os registros mostram quando o então parlamentar relata reuniões realizadas nos Estados Unidos, antecipa possíveis medidas contra autoridades brasileiras e atribui a si próprio papel relevante nas articulações com o governo norte-americano.

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A PGR destacou que, em diferentes ocasiões, Eduardo teria anunciado previamente sanções que posteriormente vieram a ser adotadas. O órgão também mencionou publicações nas quais o ex-deputado comemorou medidas impostas pelos EUA e defendeu o aumento da pressão internacional sobre integrantes do STF.

De acordo com a acusação, os elementos reunidos revelariam que Eduardo buscava influenciar o andamento da ação penal que resultou na condenação de Bolsonaro.

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