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Economistas preveem que El Niño elevará a inflação no Brasil, mostra consulta do BC

BRASÍLIA, 24 Jun (Reuters) – Economistas no Brasil esperam ⁠que o fenômeno climático El Niño tenha um impacto significativo sobre ⁠a inflação neste ano e no próximo, o que ainda não foi totalmente incorporado às ‌suas previsões, segundo enquete do banco central divulgada nesta quarta-feira.

A estimativa mediana de quase 100 economistas consultados no mais recente questionário pré-Copom, encaminhado antes da decisão sobre a taxa de juros da semana ‌passada, apontou para um impacto de 0,3 ponto percentual na inflação medida pelo IPCA em 2026 e de 0,4 ponto em 2027.

Esta foi a primeira vez desde janeiro de 2024 que o banco central incluiu no questionário periódico uma pergunta sobre o fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e pela redistribuição das chuvas, que deve se intensificar no segundo semestre deste ano.

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Os entrevistados afirmaram ⁠já ‌ter incorporado cerca de dois terços desse impacto em suas estimativas para os preços ao consumidor neste ⁠ano, mas apenas metade para o próximo ano.

A pesquisa mostrou que o IPCA deve fechar este ano em 5,2% e em 4,2% no próximo, em ambos os casos bem acima da meta de 3% do banco central.

O questionário também mostrou que o mercado esperava — antes da reunião em que a Selic foi reduzida em 0,25 ponto percentual para 14,25% — que a taxa ​básica de juros fechará o ano em 14%, indo a 12% no fim de 2027.

PREÇOS DOS ALIMENTOS EM DESTAQUE

De acordo com o banco Citi, os preços dos alimentos sofrerão o maior impacto ​do El Niño no Brasil, onde o fenômeno climático tende a causar secas no Nordeste, afetando culturas como café, açúcar e frutas cítricas.

Os economistas do Citi Ernesto Revilla e Felipe Juncal afirmaram que, durante o forte El Niño de 2015–2016, o Brasil foi afetado por um aumento na inflação dos alimentos, que provavelmente se repetirá. Desta vez, espera-se que a inflação suba cerca de 1,47 ponto ‌percentual nos dois meses seguintes ao choque.

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O BTG Pactual afirmou que ​um “super El Niño” está se formando, com o impacto sobre a inflação dos alimentos provavelmente se tornando mais pronunciado no próximo ano.

O banco elevou sua previsão de inflação para 2027 de 4,2% para 4,5%, refletindo os riscos do El Niño.

“Parte do ⁠choque pode ser transmitida para 2028 ​por meio da inércia e ​das expectativas. A magnitude dessa transmissão depende da credibilidade do banco central e da reação de curto prazo: quanto mais tempo ⁠o ciclo (de flexibilização dos juros) se prolongar, maior será ​o risco de desancoragem”, afirmaram os analistas do banco em uma nota.

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MÚLTIPLOS CHOQUES

O presidente do banco central, Gabriel Galípolo, alertou em maio que um El Niño forte se somaria aos choques de oferta ligados aos preços mais altos ​do petróleo devido ao conflito entre EUA, Israel e Irã, complicando os esforços para conter a inflação em meio a um mercado de trabalho restrito.

Ele disse que as ​autoridades monetárias enfrentam o desafio de ⁠separar os choques temporários de preços dos efeitos de segunda ordem, especialmente à medida que as expectativas de inflação se afastam da ⁠meta.

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Na semana passada, o BC deixou em aberto os movimentos futuros na taxa básica de juros, reconhecendo que agora se espera que a inflação convirja para a meta somente no primeiro trimestre de 2028, um trimestre além de seu horizonte formal.

Na ata da reunião, o Copom observou que, embora os riscos para a inflação estejam inclinados para cima, a prática padrão é moderar a reação da política monetária a choques impulsionados pela ​oferta.

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