Keiko Fujimori conquistou uma vantagem insuperável no segundo turno das eleições presidenciais do Peru na noite desta terça-feira (23), o que a coloca no caminho para assumir a presidência.
A conservadora Fujimori, candidata à presidência pela quarta vez e filha do ex-presidente Alberto Fujimori, agora tem 50,11% dos votos, colocando-a à frente do rival de esquerda Roberto Sanchez por 43.386 votos. Restam apenas 40.213 votos potenciais a serem contados, de acordo com dados da ONPE, autoridade eleitoral do Peru.
A autoridade eleitoral ainda não declarou oficialmente um vencedor e planeja fazê-lo em meados de julho.
A possível vitória de Fujimori aprofunda a guinada à direita da América Latina, após a eleição do outsider Abelardo De La Espriella na Colômbia no domingo (21). Eleitores preocupados com a criminalidade têm migrado para candidatos de linha dura.
Mais cedo, nesta terça, Sanchez alegou que “uma fraude estava em andamento”, sem apresentar provas, e disse que se recusaria a reconhecer os resultados da eleição, levantando a possibilidade de uma crise política prolongada no Peru.
Sanchez havia solicitado a anulação de milhares de votos depositados no exterior que favoreciam majoritariamente Fujimori, mas o júri eleitoral nacional do Peru rejeitou o pedido.
Os resultados do segundo turno foram atrasados por uma revisão de cédulas contestadas, pela chegada tardia de votos do exterior e pela diferença mínima entre os candidatos.
Fujimori está prestes a herdar um país que teve oito presidentes em igual número de anos e que enfrenta profundas desigualdades econômicas entre a capital e as regiões rurais, além de desilusão com os políticos.
Dos oito ex-presidentes, nenhum completou um mandato inteiro. Três sofreram impeachment e um renunciou após apenas seis dias. Quatro ex-presidentes estão atualmente na prisão, e o falecido pai de Fujimori cumpriu 16 anos de pena por violações de direitos humanos durante seu governo de uma década nos anos 1990.
Fujimori, que anteriormente se distanciou do legado de seu pai, abraçou-o nesta eleição —apresentando-se como uma líder forte, mais capaz de impor ordem e estabilidade enquanto os eleitores enfrentam taxas crescentes de extorsão e assassinato.

